sábado, 27 de março de 2021

27 de março o Teatro de Maria Joana

Conceito de Teatro 

         A palavra teatro abrange ao menos duas acepções fundamentais: o prédio em que se realizam espetáculos e uma arte especifica, transmitida ao público por intermédio do ator.

         O significado primeiro liga-se a idéia de edifício, um edifício de características especiais, dotado basicamente de platéia e palco. Teatro implica a presença física de um artista, que se exibe para uma audiência. 

Origem etimológica

          A etimologia grega de teatro dá ao vocábulo o sentido de mira douro, lugar de onde se vê. Na terminologia grega, “teatron” correspondia à platéia anteposta à orquestra. Sempre aglomerando: atores de um lado, público de outro.  

Origem

          O teatro tem sua origem em uma festa agrícola. Uma festa da colheita. Toda a comunidade reunida celebrando a safra. Cantavam, dançavam, comiam e bebiam. Todos juntos. Sem limitações de espaço. Aglomerados. 

E o teatro da Maria Joana?        

         O teatro da Maria Joana é olho no olho, é mascara no rosto. Álcool gel nas mãos é distanciamento. É presença física no aqui e agora.         

Teatro é a magia do encontro. Teatro é a expressão real do que o ser humano vivencia no tempo e no espaço: na vida.

Cada um de nós tem de encarar a sua própria existência, de escrever, em atos e palavras seus sonhos no cotidiano, transformando-o. Quem nada percebe nada encena, apenas faz parte de outras peças que o cercam. Triste fim!

Com Maria Joana, iremos a sua casa! Se você quiser. Transforme o seu dia. A sua vida é um espetáculo!

 

sábado, 20 de março de 2021

Outono Maria Joana

                                                                         Maria Joana

Alimentação, ecologia e Artes


 
Outono. Nova estação. Novo ciclo. Com o surgimento da pandemia pelo Covid19 em março de 2020. Surge a necessidade de adaptação ao isolamento e distanciamento social. Com os protocolos implantados somos impedidos de trabalhar. Reinventamos-nos e em 21 de dezembro lançamos Maria Joana, comida vegana: serviços de alimentação, ecologia e artes.

Passados três meses do nosso lançamento e completando um ano de crise sanitária no que é considerado o pior momento: esgotamento do sistema médico-hospitalar e medidas ainda mais restritivas, bandeira preta.

Entendemos que escolhemos o melhor caminho as melhores práticas. Práticas saudáveis de alimentação, higienização e arte promovendo a saúde física e mental.

A escolha da arte reflete isso de maneira prática aqui, através da literatura.   

Neste contexto é oportuno este poema de Cora Coralina.

 

“Faz da tua casa uma festa! Ouve música, canta, dança...

Faz da tua casa um templo! Reza, ora, medita, pede, agradece...

Faz da tua casa uma escola! Lê, escreve, desenha, pinta, estuda, aprende, ensina...

Faz da tua casa uma loja! Limpa, arruma, organiza, decora, muda de lugar, separa para doar...

Faz da tua casa um restaurante! Cozinha, prova, cria, cultiva, planta...

Enfim...

Faz da tua casa

Um local criativo de amor.      


Rafael de Oliveira e Jorge Valmini apresentam Maria Joana: serviços de alimentação, ecologia e artes.

 O diferencial de Maria Joana: na mesma ocasião, visita a sua casa, realiza três serviços: higienização ecológica (limpeza com produtos biodegradáveis), gastronomia vegana (com produtos orgânicos), e um Sarau com literatura, música e teatro.

  Com Maria Joana, iremos a sua casa! Se você quiser. Transforme o seu dia. A sua vida é um espetáculo!

 


 

1º E a limpeza ecológica?

 Geralmente as famílias usam materiais de limpeza industrializados para fazer a faxina doméstica. Muitos desses produtos são nocivos à saúde, podendo provocar alergias, problemas respiratórios, desconforto, disfunções e até afetar o sistema nervoso.

Esses produtos podem também conter substâncias potencialmente cancerígenas. Após o uso essas substâncias acabam descartadas nos ralos e pias e vão parar no meio ambiente.

Maria Joana substitui esses materiais por produtos biodegradáveis.



2º E a Gastronomia Vegana?

 Na alimentação vegana, o objetivo é não consumir produtos de origem animal: carne, peixe, lacticínios, ovos, mel e outros. A alimentação vegana está muito longe de se resumir a saladas ou de ser uma alimentação sem sabor como alguns julgam. É isso que faz Maria Joana!

E com o que faz? Maria Joana faz com alimentos orgânicos. Usa alimentos orgânicos da ECONATIVA DE IPÊ/RS.

 Maria Joana Oferece quatro opções de gastronomia vegana em seu cardápio: primeira O Sono da Princesa segunda O Sonho da Rainha terceira O Desejo da Coroa e quarta Jóias da Realeza.

 3º E o Sarau circular?  

 Casa limpa, alimento pronto, família à mesa é hora de celebrar. Maria Joana oferece três opções. Primeira Sarau Família – Raízes segunda Sarau Romântico e terceira Sarau Contemporâneo.    

O sarau terá com certeza música, poesia e teatro.   

           A vida é feita de escolhas.

Escolher Maria Joana é escolher a fórmula: Alimentação + ecologia + artes.

Trazemos à cena uma experiência sensorial além das articulações da arquitetura teatral. A faxina ecológica e a alimentação orgânica estarão impactando para além do encontro artístico.

  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Maria Joana III

 


Maria Joana III

 

Escolhemos hoje, seli dia 23 da Lua Rítmica do Lagarto, Dragão Galáctico Vermelho, para mais um momento Maria Joana. Por quê?

Por que: A vida é feita de escolhas.

Escolher Maria Joana é escolher a fórmula: limpeza + alimentação + celebração.

Ao levar Maria Joana para casa, você escolhe uma faxina com produtos ecológicos e biodegradáveis.

Ao levar Maria Joana para casa você escolhe saúde. Maria segue as orientações médicas para proteção contra o coronavírus.   

Ao levar Maria Joana você escolhe um dos quatro pratos pensados para a celebração. Mostramos duas receitas abaixo.


O DESEJO DA COROA

Cardápio 3

 Salada de batata assada com tomate seco, picles, azeitonas pretas e pimentão defumado e folhas verdes

         Pimentão vermelho recheado de Ratattoullie 

Espaguete ao pesto (sem queijo) de couve

Suco de maçã com limão

Sobremesa Bananas Caramelizadas assadas em papillote com tomilho e calda de laranja

 

JÓIAS DA REALEZA

Cardápio 4

Salada de abobrinha e berinjela grelhada, marinada em azeite super aromatico, folhas verdes, torradinhas e conservas (picles, cebola, palmito)

Panqueca de brocolis, ervilha, vagem, alho poró com creme de palmito

Acompanha arroz com cogumelos salteados, oro-pro-nobis e manjericão.

Suco de manga com laranja e limão

Sobremesa: maçã assada com especiarias e paçoca de amendoim, calda de vinho tinto.

 

Sarau

Ao escolher Maria Joana, você escolhe uma receita que tem partilha e arte. É a combinação de diferentes elementos no tempo e espaço.

Depois de higienizar sua casa Maria Joana prepara sua refeição e para celebrar a ocasião realiza um sarau. O sarau terá com certeza música, poesia e teatro. Você pode escolher um Sarau Romântico para casais, um Sarau Família Raízes ou o Sarau Contemporâneo.     


Os responsáveis por Maria Joana

Rafael de Oliveira

 Músico, compositor e chef. Ator amador. Aventura-se no campo da fotografia e escreve poemas. Começou carreira musical aos 11 anos de idade quando aprendeu a tocar teclado, depois disso o caminho para outros instrumentos como violão, guitarra, foi automático.

Trabalhou em restaurantes desde os dezoito anos e adquirindo experiência em diferentes culinárias e variados cheff’s, entre eles alguns internacionais.

Se formou em 2008 pela ICIF (Italian Culinaire Institute for Foreigners), uma das melhores escolas de culinária do mundo, com foco em culinária clássica italiana e depois disso trabalhou em 8 estados brasileiros durante 15 anos.

Assim como na música, gosta de estar sempre conhecendo coisas novas e experimentando, é especializado (por paixão e preferência) em culinária Mediterrânea, mas confessa que tem um caso de amor com a explosão de sabor da culinária do Oriente Médio.

 54 9916 2442  contatorafa@gmail.com   

Jorge Valmini

          Ator, contador de histórias, roteirista e diretor com atuação nas manifestações populares como o circo o cinema e o teatro de rua. Pesquisa o funcionamento do corpo em cena.

         Foi técnico de teatro do SESC. Instrutor de teatro da Comissão Municipal de Amparo à Infância COMAI – como professor de teatro lecionou no Colégio São Carlos e no Colégio Mutirão Objetivo 2º Grau. Foi membro da Comissão de Incentivo a Cultura – LIC, e Coordenador da Associação Caxiense de Teatro ACAT e membro do Conselho Municipal de Cultura. Oficineiro orientador no Projeto GentEncena.

         Desenvolve eventos para entidades e empresas como espetáculos sobre segurança no trabalho, gestão da qualidade, doenças ocupacionais, ISO, TQC e treinamento de grupos de CCQ. Orienta cursos e oficinas para professores e outros profissionais, nas áreas de comunicação, criatividade e qualidade de vida.

          Desde março de 2016 atua como facilitador voluntário de círculos de diálogo em Justiça Restaurativa. Cultura da Paz. 

 54 9 9297 47 47            valmini@gmail.com 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Maria Joana II

 

Maria Joana II

Escolhemos o dia 21 de dezembro por ser o dia do solstício de verão aqui no hemisfério sul, para lançar Maria Joana. Nesse mesmo dia a conjunção de Júpiter com Saturno estava mais próxima para os olhos de quem procurou o céu.

Escolhemos hoje, seli dia 16 da Lua Rítmica do Lagarto, Mago Magnético Branco, para o segundo passo da Maria Joana. Por quê? Por que: “começa no aqui e agora, a magia do conhecimento e da cura.

A vida é feita de escolhas.

Escolher Maria Joana é escolher uma fórmula: limpeza + alimentação + celebração.

Nós escolhemos o teatro, conscientes de que é a ciência do ato. Teatro é o que acontece diante de outra pessoa no aqui e agora, presente. Exploramos aromas e sabores ao escolher os pratos à serem degustados.

Assim fiéis ao principio de investigação das possibilidades teatrais. Trazemos à cena uma experiência sensorial além das articulações da arquitetura teatral. A faxina ecológica e a alimentação orgânica estarão impactando para além do encontro artístico.

Ao levar Maria Joana para casa, você escolhe uma faxina com produtos ecológicos e biodegradáveis.

Ao escolher Maria Joana, você escolhe uma receita que tem partilha e arte. É a combinação de diferentes elementos no tempo e espaço.

Ao levar Maria Joana você escolhe um dos quatro pratos pensados para a celebração. Mostramos duas receitas logo à frente.

Ao levar Maria Joana para casa você escolhe saúde. Maria segue as orientações médicas para proteção contra o coronavírus.    




Saúde para a sua mesa

 Zero agrotóxicos, conservantes e outros produtos químicos significa que você não corre o risco de sofrer os possíveis efeitos dessas substâncias, ficando protegido de qualquer conseqüência negativa que elas possam trazer!

Maria Joana escolhe alimentos orgânicos da ECONATIVA DE IPÊ/RS.

A Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e Sul do Estado de Santa Catarina – ECONATIVA, foi fundada em junho de 2005 no município de Três Cachoeiras – RS. Hoje conta com 40 sócios que representam os agricultores ecologistas da Região do Litoral Norte, envolvendo os municípios de Torres, Dom Pedro de Alcântara, Três Cachoeiras, Morrinhos do Sul e Mampituba.

Em Ipê, foi fundada a filial em março de 2009, envolvendo os municípios de Ipê, Antonio Prado, Garibaldi, Bento Gonçalves, Monte Alegre dos Campos e Nova Roma do sul. A filial ECONATIVA IPÊ conta hoje com 65 famílias associadas.         

         A agricultura ecológica em Ipê surgiu na década de 1980, através do trabalho pioneiro da Engenheira Agrônoma Maria José Guazzelli. A implementação do trabalho se deu Através da assessoria realizada pela ONG – Centro Ecológico, localizado em Ipê. 


Cardápio Maria Joana by chef Rafael Oliveira

 O SONO DA PRINCESA

Cardápio 1

 Salada de folhas verdes, cebola assada, tomate e manjericão, temperado com vinagrete.

Gnocchi de Batata Doce com tomate, cebola, alho, pimenta dedo, cenoura, alho poró e cebolinha verde refogados no azeite de oliva.

Couve refogada com alho e arroz curry com cebola frita

 Suco de abacaxi com maçã, hortelã e limão.  

Sobremesa: strudel de uvas com zabaione (Creme de suco de abacaxi) e espumante moscatel.

 

O SONHO DA RAINHA

Cardápio 2

 Salada mix folhas verdes mais legumes cozidos (brócolis, cenoura, couve flor)

Batata suíça - batata inglesa recheada com cebola, alho poró e ervilhas. Risoto de açafrão e alho assado.

Abobrinha refogada com cebola e ervilhas.

Suco de laranja com gengibre e limão.

Sobremesa: torta de laranja e limão com massa de biscoito.

       Depois de higienizar sua casa Maria Joana prepara sua refeição e para celebrar a ocasião realiza um sarau. O sarau terá com certeza música, poesia e teatro.  

Rafael de Oliveira  Chef   54 9916 2442 contatorafa@gmail.com        

                    Jorge Valmini   diretor   54 9 9297 47 47        valmini@gmail.com

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Maria Joana I

Maria Joana I

           Em setembro de 1987 nascemos com a necessidade de experimentar diversas técnicas teatrais e revolucionar a nossa condição de artistas. De seres humanos. Hoje  mais do que ontem reafirmamos essa necessidade.  

Sabemos que o diferencial básico do teatro, em relação às outras artes, é a presença física do ator no aqui e agora com público. O outro.

Teatro é a magia do encontro. Teatro é a expressão real do que o ser humano vivencia no tempo e no espaço: na vida.

Cada um de nós tem de encarar a sua própria existência, de escrever, em atos e palavras seus sonhos no cotidiano, transformando-o. Quem nada percebe nada encena, apenas faz parte de outras peças que o cercam. Triste fim!

2020 é o ano que marca o 33º aniversário do Teatro Experimental Revolucionário – TER.

Programávamos celebrar a data com a estréia do nosso 11º espetáculo: Navegantes Espaciais e as fantásticas histórias. Com o surgimento da pandemia pelo Covid-19. Nossas atividades foram suspensas em março. Necessidade de nos adaptarmos as circunstâncias de isolamento e distanciamento. Sem possibilidade de ensaios e práticas corporais, passamos a concentrar nossas energias na atividade intelectual através de leituras, reflexões e planejamento. O que nos leva a antecipar a estréia do nosso 12º espetáculo “Maria Joana: faz faxina ecológica e comida vegana!


      Maria Joana estréia em 21 de dezembro de 2020 as 10 h 02 m. Nas melhores casas. 

Assim nos mantemos fiéis ao principio de investigação das possibilidades teatrais. Ao longo da nossa trajetória montamos peças em diferentes arquiteturas: arena, palco italiano, roda, e diferentes espaços: clubes, parques, praças, escolas, fábricas, shoppings sempre com a nossa bússola voltada para o encontro e a presença.

 Com Maria Joana, iremos a sua casa! Se você quiser. Transforme o seu dia. A sua vida é um espetáculo! Contrate Maria Joana, que faz faxina ecologia e comida vegana.  Sabemos que um mundo já não existe mais. O de antes da pandemia.  Nosso luto. Precisamos viver de outra maneira. Nossa luta.

        Maria Joana faz faxina ecológica e comida vegana está em sintonia com o século 21 pandêmico, por distanciamento: encontro de duas a dez pessoas, com os devidos protocolos sanitários. Por práticas sustentáveis: alimentação e higiene orgânica e ecológica.       

 O que é uma faxina?

         faxina remete à uma limpeza mais pesada e a limpeza diária é a mais leve. É muito importante realizar a faxina ao menos uma vez por semana nos cômodos, pois o acúmulo de sujeira pode desencadear a proliferação de microorganismos, acúmulo de ácaros em sua cama, entre outros problemas.

 E a faxina ecológica?

 Geralmente as famílias usam materiais de limpeza industrializados para fazer a faxina doméstica. Muitos desses produtos são nocivos à saúde, podendo provocar alergias, problemas respiratórios, desconforto, disfunções e até afetar o sistema nervoso.

Esses produtos podem também conter substâncias potencialmente cancerígenas. Após o uso essas substâncias acabam descartadas nos ralos e pias e vão parar no meio ambiente.

Maria Joana substitui esses materiais por produtos ecológicos.



Na alimentação vegana, o objetivo é não consumir produtos de origem animal: carne, peixe, lacticínios, ovos, mel e outros. A alimentação vegana está muito longe de se resumir a saladas ou de ser uma alimentação sem sabor como alguns julgam. É isso que faz Maria Joana!


 E com o que faz? Maria Joana faz com alimentos orgânicos. Os alimentos orgânicos são cultivados da forma natural, como se estivessem vindo do seu quintal mesmo! A legislação brasileira tem um espaço reservado para a orientação e o estímulo da agricultura orgânica, que, além de trazer menos produtos químicos indesejados para a sua mesa, também garante a produção de alimentos por pequenos agricultores de várias regiões do Brasil! #DaHortaParaAMesa

Maria Joana usa alimentos orgânicos da ECONATIVA DE IPÊ/RS 

 Quais são os benefícios da alimentação orgânica? Mais sabor para os seus pratos!

Ao contrário do que muita gente pensa, os alimentos orgânicos são ainda mais saborosos que os tradicionais, já que não sofrem influência da ação dos produtos químicos, biológicos ou radioativos na sua estrutura, textura e sabor. Ou seja: um dos maiores benefícios da alimentação orgânica é exatamente um sabor mais autêntico.

 

Depois de higienizar sua casa Maria Joana prepara sua refeição e para celebrar a ocasião realiza um sarau. O sarau terá com certeza música, poesia e teatro.   

 


                                                 Rafael de Oliveira

chef

 54 9916 2442

contatorafa@gmail.com 

 



                                                        Jorge Valmini

diretor 

54 9 9297 47417

valmini@gmail.com


Continua...  

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Arte - Territórios e Fronteiras



No dia 21 de abril de 2020 os artistas articulados no projeto Arte,
Territórios e Fronteiras A. T & F, vai realizar a performance Mulher
Guerreira em ambiente público e aberto.


A performance Mulher Guerreira celebra o feminino homenageando mulheres importantes para os participantes do A.T & F.
A performance reflete possibilidades como: e se São Jorge fosse mulher? E se fosse possível eliminar um mal no mundo, qual seria?
Como processo os artistas usam o círculo de dialogo (roda de conversa), enquanto metodologia de trocas.
Até abril serão várias trocas e rodas:

O caminho
Roda de Poesia; Roda de Amigos, Roda de chimarrão, Cantiga de Roda, Samba de Roda, Dança de Roda. Vem para a roda traz teu verso, teu instrumento, corpo. Encanto!  No canto, no entanto seremos redondos.          
            A roda transmite de maneira amplificada para o eixo de rotação qualquer força aplicada na sua borda, reduzindo a transmissão tanto da velocidade quanto da distância que foram aplicadas. Similarmente, a roda transmite de maneira reduzida para a borda qualquer força aplicada no seu eixo de rotação, amplificando a transmissão tanto da velocidade quanto da distância que foram aplicadas.


A oração
Eu andarei vestido e armado, com as roupas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos eles possam ter, para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem.
Recebi como herança cultural o nome de JORGE. Então salve Jorge!

O veículo – o feminino
“Para a consciência feminina, o espiritual e o físico são dois aspectos de uma totalidade. O espírito confirma o corpo, articula a sabedoria corporal. O espírito é imediato e factual, não algo a que se chega, como em Platão, por meio de uma ascensão dialética. “Tal como acima, abaixo” traduz-se em “Tal como na cabeça, no ventre”. Ambos estão simultaneamente presentes, não em oposição dialógica. O paradoxo desta presença simultânea – o plexo solar na cabeça e a cabeça no plexo solar – resiste à lógica da prosa, e requer os saltos elípticos da poesia que as metáforas tentam abranger. Em minha introdução ao livro A Virgem
Grávida
denominei esse paradoxo de conjunções batráquias, pensando em sapos saltando entre os nenúfares de folha em folha.
A metáfora é a linguagem da alma. Por meio de uma imagem física, a metáfora revela uma verdade ou condição espiritual.” Marion
Woodman

Por que Mulher Guerreira?
Mitologia
Ártemis e Apolo: os gêmeos


Ártemis e seu irmão gêmeo Apolo eram ambos arqueiros. O arco e as pontas das flechas de Apolo eram de ouro e ele era o deus do sol dourado. As armas de Ártemis (Diana para os romanos), eram de prata, como sua lua prateada. Ártemis era a gêmea mais velha e foi ela quem, segundo Homero, ensinou a Apolo o uso do arco. Ambos atiravam de longe suas setas invisíveis e infalíveis, que causam morte imediata e indolor. Os dois eram cultuados por sua pureza e famosos por sua distancia, por não se deixarem abordar, por desaparecer (ela no meio da mata, ele no misterioso reino dos hiperbóreos).



quarta-feira, 27 de março de 2019

Dionísio! Que deusa é voce?

DIONISO! QUE DEUSA É VOCE?
           
Dionísio se destaca de todas as outras divindades gregas. Ele não é um dos olímpicos, pois apareceu no cenário grego em uma data tardia; tão pouco é ele uma das antigas deusas como Ananke ou as Moiras. O fato é que Dionísio é uma realidade nele mesmo, ou talvez devêssemos dizer “nela mesma”, pois nada a respeito de Dionísio é firme e claro, inclusive sua sexualidade. Às vezes Dionísio parece masculino; outras vezes suas características femininas emergem com tanta intensidade que nos perguntamos se o deus é mais homem ou mulher.
Em conformidade com sua complexa natureza, Dionísio recebeu muitos epítetos. Ele era chamado purigetes, “o nascido do fogo,” sukites, “o da figueira,” polygethes, “o cheio de alegria,” e kissodomos, “o da coroa de hera.” Ele era dendritos, “o deus da árvore,” gunaimanes, “o inspirador das mulheres exaltadas,” e também era conhecido como phales, “o amigo do falo,” por razões que analisaremos mais tarde. Além do seu nome básico Dionísio, cuja derivação é incerta, ele também era chamado Bromios, que significa pomposo ou turbulento, e tinha o nome místico Iaco. Em Metamorfose, o poeta latino Ovídio relaciona oito nomes para esse deus de múltiplas facetas.
Dionísio era um modificador da forma, um deus que podia aparecer com muitos disfarces teriomórficos. Ele era estreitamente associado ao touro, talvez em decorrência dos poderes fálicos do touro, e também com a serpente; dizia-se, às vezes, que as serpentes estavam entrelaçadas em seu cabelo. Cérberos freqüentemente acompanhavam o deus em seus divertimentos, e ele era amiúde retratado como um leão cuja forma ele podia assumir a seu bel-prazer. Ele era especialmente associado ao bode, talvez por causa do seu jeito caprichoso (a palavra “capricho” deriva da palavra latina carper, bode (cabra); com efeito, seus seguidores celebravam uma espécie de comunhão com o deus no qual bebiam o sangue de bodes para assimilar o espírito do deus.
Dionísio é um deus paradoxal por excelência. Ele era uma divindade da turbulência, do abandono e da mais abençoada libertação com relação às muitas repressões da vida; não obstante, ele não era o deus da ilegalidade, pois ele tinha sua própria lei para a qual as pessoas eram atraídas, por mais estranha que essa lei possa parecer a partir de um ponto de vista convencional. Se Dionísio tivesse sido um deus da ilegalidade, ele talvez tivesse tido como um dos seus epítetos a palavra grega panourgos, palavra essa que significa literalmente “qualquer coisa serve” (e que aparece no Novo Testamento como uma das palavras para o mal indisciplinado). Entretanto, essa palavra não era associada a Dionísio; ao contrário, ele ensinava aos mortais que eles deveriam obedecer ao céu, honrar os deuses e seguir a trajetória da justiça (Eurípedes 1979a, 991 – 1015). Analogamente, embora um veemente vingador com relação a seus inimigos, ele não era uma divindade da guerra e sim da paz (419). E embora fosse o deus do vinho e do prazer embriagado, tampouco era o deus da embriaguez devassa, pelo menos não até que os romanos o assimilaram e ele começou a aparecer em formas degeneradas e se tornou conhecido com Baco.
Longe de ser um deus devasso, Dionísio era um deus com uma missão, missão essa que ele declarava “ser deus manifestado aos mortais” (Eurípedes 1979a, 22). Dionísio revelou o divino para a humanidade através de um musterion, um “mistério” no antigo sentido grego de um conhecimento secreto que só poderia ser conhecido se a pessoa passasse por uma experiência iniciatória. Esse musterion de Dionísio era tão profundo que ele importava o entendimento do próprio mistério da vida. Acima de tudo, Dionísio era o deus da mania, ou “loucura” – loucura essa tão estranha e maravilhosa que compreendê-la significava tanto o musterion do deus quanto o significado da própria vida. Antes que possamos supor que sabemos mais a respeito dessa estranha loucura de Dionísio, contudo, precisamos saber mais a respeito do deus propriamente dito: suas origens, suas inúmeras histórias e a natureza da sua atração para os antigos gregos.
O fato de Dionísio ter emergido na vida da Grécia depois, tanto das divindades matriarcais quanto dos deuses olimpianos, leva muitos especialistas a acreditar que suas origens não estavam na Grécia e sim em algum reino distante. Não existe, contudo, nenhum entendimento entre eles com relação ao local de onde o culto teria surgido. Alguns dizem que ele é originário da Frigia (Ásia Menor), onde o deus era associado à deusa mãe asiática Cibele, teoria essa apoiada por uma alusão aos ritos de mistério de Cibele na peça de Eurípedes sobre Dionísio, Os Bacanais. Outros, contudo, dizem que o culto de Dionísio é oriundo da própria Grécia, se bem que de regiões mais remotas. Do ponto de vista da nossa psicologia, a verdadeira origem de Dionísio repousa na camada arquetípica da psique humana da qual emerge a imaginação criativa subjacente a toda mitologia. A partir desse ponto de vista, Dionísio retrata uma parte integral da nossa vida psíquica inconscientemente, ele personifica e dramatiza uma energia profundamente implantada na nossa natureza humana, talvez em toda a vida. Desse modo, a partir dos lugares ocultos do coração humano, o deus anseia por se expressar – e oferece aos mortais seu tipo peculiar de liberdade (Eurípedes 1979a, 72–88).
Podemos especular que o culto de Dionísio explodiu no mundo antigo na ocasião em que o fez a fim de satisfazer uma necessidade psicológica e espiritual, talvez para compensar a tendência cultural emergente de se identificar excessivamente com o racional em detrimento das energias vitais do irracional, as únicas capazes de trazer liberdade à alma. Mas antes de podermos compreender a natureza dessa liberdade dionisíaca oferecida pelo deus, precisamos aprender mais sobre este mais paradoxal dos deuses que era chamado “um deus terrível, porém bondoso para a humanidade” (Eurípedes 1979a, 861).
Dizia-se que Dionísio havia sido concebido no útero da mulher mortal, Semele, filha do herói grego Cadmo, fundador da cidade de Tebas. A semente da qual Dionísio brotou, contudo, não era de um homem mortal, e sim de Zeus. A história conta que quando Hera, a mulher de Zeus, soube do caso amoroso entre Zeus e Semele, e ainda do de Semele ter concebido um filho dessa união, ficou tão furiosa que concebeu uma trama para destruir a mãe ofensora e seu filho que estava para nascer. Ela procurou alcançar seu intento persuadindo Semele a rezar para que Zeus aparecesse para ela em toda a sua divina glória. Semele então rezou, e Zeus relutante respondeu à sua súplica. No entanto, o esplendor desnudo do deus era tão grande que Semele foi esmagada pela visão e destruída pelo raio de Zeus. Ao contemplar a tragédia, Zeus precipitou-se do céu e arrancou a criança nascitura do útero de Semele; ele colocou então a criança na própria coxa, de onde, em seu devido tempo, nasceu Dionísio, um homem-deus, concebido no útero de uma mulher mortal, através do sêmen de um deus, e nascido da coxa de Zeus.
Poderíamos pensar que Hera teria ficado satisfeita com o castigo que impusera a Semele, mas segundo outra versão da história, na qual Semele não morre, Hera permaneceu de tal modo consumida pelo ciúme que levou Semele e o marido desta, Atamas, à loucura. Zeus confiou então o bebê Dionísio aos cuidados de ninfas que viviam em uma montanha tão remota que até hoje sua exata localização é desconhecida. Lá, as ninfas alimentaram a estranha criança com mel silvestre. Este detalhe é simbolicamente significativo, pois o mel é produto das abelhas, e, dentre todas as formas de vida, as abelhas são vistas como as mais femininas e matriarcais, visto que todos os machos são mortos ao nascer, exceto os poucos necessários para fertilizar a rainha. O fato de Dionísio ter sido alimentado com mel silvestre enfatiza a poderosa influência do feminino sobre ele desde seus primeiros dias de vida.
Quando Dionísio atingiu a idade adulta, ele começou suas andanças. Em uma das mais antigas histórias a respeito das suas aventuras, o errante Dionísio foi capturado por piratas e preso ao mastro do navio, mas quando este estava em alto mar, as cordas que prendiam o deus se soltaram como se por mágica, e uma videira cresceu misteriosamente em torno do mastro do navio. Dionísio então se transformou em um leão, que aterrorizou de tal modo os piratas que estes pularam no mar, onde foram transformados pelo deus em golfinhos.
Nessas histórias sobre o nascimento de Dioniso e a maneira impressionante pela qual o deus se viu livre dos piratas, podemos ver tanto a simpatia que as mulheres tinham por ele – exemplificada pela devoção que sua mãe, Semele, tinha por ele – quanto seu impressionante poder de mudar de aparência, aparecendo ora em uma forma ora em outra para despertar o assombro de seus seguidores e o medo no coração de seus inimigos.



Outra história que exemplifica os poderes mágicos do deus e seu amor pelas mulheres é encontrada na lenda de Teseu e Ariadne. Teseu foi o herói grego que libertou o povo ateniense da terrível tirania que lhes fora imposta por Minos, o Rei de Creta. Parece que Minos, cujo poder era intensamente temido em todo o mundo antigo da Hélade, impusera aos gregos um tributo anual de sete rapazes e sete moças, todos na flor da idade. Esses jovens eram levados para a ilha de Creta e colocados em um desnorteante labirinto habitado pelo monstruoso Minotauro, com a aparência de touro, que comia carne humana. O labirinto no qual vivia o terrível animal era de tal modo intrincado que ninguém que lá entrara jamais saíra. Encurralados dentro do serpejante labirinto de corredores, os rapazes e as moças eram logo destruídos pelo Minotauro quando ele vagava pelo dédalo em busca de vítimas.
Não obstante, em um determinado ano, as infelizes vítimas foram salvas por Teseu, que se ofereceu como voluntário quando chegou à época de pagar o tributo anual ao Rei Minos. A sorte determinou que quando as vítimas chegassem a Creta, a princesa da terra, Ariadne, contemplasse Teseu e se apaixonasse por ele. Quando as vítimas do sacrifício, inclusive Teseu, foram conduzidas ao labirinto, Ariadne (cujo nome é parecido com a palavra grega para aranha – araxne) entregou a Teseu um maravilhoso fio. Quando as vítimas foram levadas cada vez mais para o interior do labirinto, Teseu, seguindo as instruções de Ariadne, arrastou o fio atrás de si. Quando o Minotauro atacou as vítimas, o herói conseguiu destruir o monstro; depois com a ajuda do fio, ele conduziu os jovens para fora do labirinto e depois para a liberdade. Ariadne, cheia de amor por Teseu, alegremente deixou sua terra natal e fugiu com ele para a Grécia. No entanto, Teseu, deslealmente, abandonou sua benfeitora, largando-a em uma remota ilha deserta. Lá, exilada do reino do pai e abandonada pelo amado, Ariadne chorou sozinha até ser descoberta por Dionísio, que a amou, fez dela sua esposa e a levou embora em segurança.
A história do amor de Dionísio por Ariadne caracteriza o amor do deus pelas mulheres em geral, muitas das quais respondiam ao seu amor tornando-se seguidoras dedicadas. Essas seguidoras eram conhecidas com mênades (mainades), nome que significa “as mulheres loucas,” não porque fossem insanas, mas sim porque estavam repletas do deus e eram inspiradas por ele. Dionísio também era estreitamente associado a muitas divindades femininas, como as Cárites, com Afrodite e com as Musas, as divindades femininas da música, da canção, da dança e das artes, de cujo nome derivamos as palavras música e museu. Não há dúvida de que por causa da sua afinidade com as Musas, Dionísio se tornou mais tarde, em sua carreira, o patrono do teatro; com efeito, a memória do deus ainda é venerada hoje em dia por muitos atores e músicos.
Dionísio também era o deus do falo, e em procissões realizadas periodicamente em sua homenagem, seus seguidores carregavam imagens do falo. A associação entre Dionísio e o falo está não apenas relacionada com sua habilidade sexual, como também com a ligação do deus com a natureza. Dionísio é um deus que possui uma energia vitalizadora, e o falo é o poderoso instrumento que fertiliza o feminino e promove a vida. Dizia-se que onde quer que o deus fosse, as flores floresciam e o mundo se tornava verde e exuberante, pois a energia extática do deus é a própria energia da vida. Vemos aqui, também, a outra ligação entre Dionísio e Afrodite, chamada alhures nos textos clássicos de “Afrodite amante do membro.”


Dionísio também era estreitamente associado ao mais yin dos elementos: a água. O especialista em assuntos gregos Water F. Otto escreve o seguinte:

A água é o elemento no qual Dioniso está à vontade. Como ele, ela revela uma natureza dual: um lado luminoso, alegre e vital; e um lado sombrio, misterioso, perigoso e mortal... Dionísio vem da água e a ela retorna... ele tem seu lar e seu refugio nas profundezas aquosas. (Otto 1981).
          
Desse modo, Dionísio partilha da natureza tanto do vinho quanto da água; ele provoca a dissolução temporária do ego no sono, e através do vinho ele leva alegria à alma, mas ele também traz consigo muita coisa sombria, misteriosa e perigosa, bem com vital.
Um dos maiores dons de Dionísio era o conhecimento da fabricação de vinho, pois antes da vinda de Dioniso, os mortais não conheciam o segredo através do qual a uva podia ser levada a produzir seu curativo e intoxicante néctar. Dizia-se que a dádiva do vinho foi concedida aos mortais pelo deus por causa da agradável recepção que ele recebeu de Icário de Atenas. Em suas andanças pela terra, Dionísio era freqüentemente rejeitado, mas Icário o recebeu com hospitalidade, levou-o para casa, proveu a subsistência dele e, sem pensar em nenhuma recompensa, tratou-o com generosidade. Em agradecimento à bondade de Icário, Dionísio deu a ele o conhecimento da fabricação do vinho, e esse conhecimento logo se espalhou por toda a parte, levando a alegria do vinho para os corações extenuados com o sofrimento e os problemas da vida.
Entretanto, Dionísio não dava o vinho no espírito da embriaguez comum; esse era o trabalho de Baco, que, como já comentamos, era uma versão romanizada e degenerada de Dionísio. Este não era o deus da extinção da consciência que vivenciamos na embriaguez, e sim o deus da liberação do espírito e da animação da alma. Não obstante, se o poder do deus fosse absorvido irresponsavelmente, ele poderia ser perigoso, motivo pelo qual Dionísio era às vezes representado acompanhado pelos Silenos, seres paradoxais que eram ao mesmo tempo músicos consumados e sátiros embriagados. O vinho de Dionísio, contudo, geralmente não provocava o esquecimento da embriaguez; ao contrário, mitigava as lágrimas da humanidade e trazia alegria, um deus que embora pudesse ser ameaçadoramente destrutivo para seus inimigos, sentia uma profunda compaixão pelo sofrimento dos mortais. Dizia-se portanto que Dionísio era “o Senhor que chorava para mitigar as lágrimas dos mortais... para que a alegria de homens e mulheres flua a partir das lágrimas de um deus.”                    

Existem muitas outras histórias sobre o deus, inclusive um relato que diz que ele havia vagado pelo mundo, tendo chegado à Índia, e outro que conta como ele foi iniciado nos mistério de Réia, outra versão da antiga deusa mãe-Terra semelhante à Cibele. A história mais importante, contudo, é encontrada na peça de Eurípedes, Os Bacanais. Se alguém tivesse que escolher para estudo apenas uma dentre as várias histórias a respeito de Dionísio, esta peça de Eurípedes se destacaria claramente como a que deveria ser lida. Primeiro resumiremos a história que Eurípedes nos conta; depois, examinaremos seu significado.
Quando a história começa, Dionísio está viajando pelo mundo para ser conhecido, e seu caminho finalmente o leva a Tebas. Lá, ele é bem recebido por dois homens idosos, Tirésias, o vidente cego, e Cadmo, que quando jovem foi um famoso herói. No entanto, quando Penteu, rei da terra, ouve falar na chegado de Dionísio, rejeita tanto a pessoa dele quanto o fato de ele afirmar ser um deus; ele despreza o jeito feminino de Dionísio e planeja aprisioná-lo. Além disso, Penteu desdenha quase tudo a respeito de Dionísio, inclusive o cabelo dele, que ele chama de “tranças delicadas” que poderiam enfeitar uma mulher:
Os homens dizem que um estranho chegou à terra,
Um bruxo trampolineiro da terra da Lídia,
Com tranças douradas nos cabelos dourados e perfumados,
Animados com o vinho, nos olhos as graças sedutoras do amor,
Que faz amor dia e noite com as donzelas,
Fingindo conhecer os mistérios evianos.
Se dentro destas paredes eu pudesse aprisioná-lo,
Adeus ao tirso-tamborim, e às madeixas
Livremente sacudidas; pois seu pescoço deceparei
                                                (Eurípedes 1979a, 233-9)


No entanto, o velho e sábio Tirésias reconhece o esplendor e a autenticidade do novo deus, e lhe dá as boas vindas. Ele nota especialmente as duas grandes dádivas do vinho e do sono que Dioniso concedeu à humanidade. Tirésias e Cadmo homenageiam Dionísio, e vestindo trajes de pele de corça juntam-se à dança das mênades na procissão do deus.
Quando Penteu vê esses velhos participando da turbulenta marcha, ele zomba dos dois:
Mas vejam, outra surpresa – o vidente
Tirésias vestido com um traje de pele de corça!
...Uma visão engraçada! (248-51)

Tirésias não se deixa intimidar e responde ao rei:
Eu e Cadmo de quem tu ris e escarneces,
Poremos folhas de louro na cabeça, e dançaremos –
Um par de velhos de barba grisalha, mas que só podemos dançar. (322-4)

Logo se torna claro que Dionísio exerce uma atração especial sobre as mulheres, e que ele as está afastando de seus tranqüilos afazeres domésticos para que, através dele, elas possam vivenciar uma nova liberdade. A raiva que Penteu sente de Dionísio, por causa dessa aparente sedução das mulheres do reino, cresce; ele se queixa especialmente de que Dionísio “enlouquece as mulheres afastando-as do lar” (662). Justificadamente, Penteu teme estar perdendo o controle, pois inundadas pelo espírito do deus, as mulheres vivenciam uma nova liberdade; elas se entregam gloriosamente ao instinto. Intoxicadas pelo deus, elas o seguem para os lugares afastados da civilização, deixando pra trás a sóbria vida doméstica e a reclusão a que Penteu as sujeitara.
O contraste entre a atitude de Dionísio diante das mulheres e a do patriarcal Penteu é nitidamente traçado na peça de Eurípedes: enquanto Penteu desconfia das mulheres e tenta regular a vida e os amores delas, Dionísio permite, sem temor, que elas expressem a sexualidade e o amor à maneira delas:
Dionísio não imporá sobre as mulheres
A castidade: inata na verdadeira feminidade
Reside a temperança tocando para sempre todas as coisas.
Tu deves observar; pois nos ritos de Baco
Nada de mal acontecerá aos virtuosos de coração. (315-8)

Inevitavelmente, a tensão entre Dionísio e Penteu explode em conflito aberto. Penteu envia soldados para capturar Dionísio; eles o amarram fortemente e o atiram na prisão. Mas Dionísio facilmente se liberta de seus grilhões e provoca um terremoto que destrói a prisão e o palácio de Penteu.
Como devemos compreender o significado desse “mais estranho dos deuses”? O elemento chave repousa em sua loucura, mas precisaremos nos lembrar de que essa não é a loucura comum que conhecemos como insanidade. Trata-se, ao contrário, da divina loucura que os gregos chamavam de mania. Vivenciamos essa mania quando somos invadidos pelo espírito de um deus, ou seja, por um poder e inspiração que não derivam do ego, nem da mentalidade comum, e sim da esfera dos deuses. É dessa esfera que emerge a verdadeira criatividade.
Esta divina loucura é o segredo do “mistério” do deus. O “mistério” de Dionísio, que como qualquer “mistério” é uma experiência de poder na qual a pessoa precisa ser iniciada, trouxe um “novo impulso espiritual” à religião na Grécia e, conseqüentemente, à espiritualidade no mundo ocidental. Jane Harrison comenta que antes da chegada de Dionísio, a antiga religião era um do et dus; “Eu faço, e tu fazes.” Ou seja, o ser humano faz uma coisa para o deus, como oferecer um sacrifício, e o deus faz algo em troca para o ser humano (Harrison 1950). O novo espírito de Dionísio transcende essa estreita e arcaica interpretação do impulso religioso. Não se trata de uma questão de fazer algo para agradar, serenar ou adular uma divindade para que ela faça o que queremos; em vez disso, é uma questão de vivenciar a divindade dentro de nós mesmos.

A Festa do pequeno grande ser

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