quinta-feira, 6 de junho de 2013

TEATRO NO KINTAO






Oficina de TEATRO
NO KINTAO do Zé




Quem? Pessoas com mais de 15 anos.
Quando? Nas segundas-feiras das 19h30min às 21h30min

INÍCIO: 1 DE JULHO DE 2013

Onde?  kinTAO do Zé, rua João Zandomeneghi, 1732   Bairro Universitário próximo ao Hospital do Círculo
Orientador? Jorge Valmini


PROGRAMA
DIREÇÃO, INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO TEATRAL

          Contato informações e inscrições:
(54) 9196 14 71

JORGE VALMINI


Ator, diretor e roteirista. Atuo desde 1973 nas manifestações: circo, teatro de rua, pesquisa o funcionamento do corpo em cena.
Técnico em teatro do SESC. Instrutor de teatro da Comissão Municipal de Amparo a Infância – professor de teatro, lecionou no Colégio São Carlos e no Colégio Mutirão Objetivo 2o Grau.
Membro do Conselho Municipal de Cultural, membro da Comissão de Incentivo a Cultura – LIC, Coordenador da Associação Caxiense de Teatro – ACAT criada em 1989. Eventos para entidades e empresas, espetáculos sobre segurança no trabalho, gestão da qualidade, doenças ocupacionais, ISO, TQC e treinamento de grupos de CCQ. Oriento cursos para professores nas áreas de comunicação e criatividade.

arte na cidade


residência artística

http://youtu.be/ysWLcMpZffE


                                                                RESIDÊNCIA ARTÍSTICA

            Este vídeo faz registro de um momento/reflexão sobre o estudo de fotografia para o documentário CAXIAS DO SUL MEIO SÉCULO DE TEATRO residência artística no kinTAO DO Zé iniciada sistematicamente em primeiro de maio de 2013.

sábado, 19 de março de 2011

Poesia na Praça Dante Alighieri


Poesia na praça. Pra que? Estou em casa. É bom estar em casa. “Eu plantado no alto em mim. Contemplo a ilusão da casa. As imagens descem como folhas. Enquanto falo. Eu sei. O tempo é o meu lugar. O tempo é minha casa. A casa é onde quero estar.” Vitor Ramil. Em casa tenho figurinos de diversos personagens. Máscaras. Tintas e pincéis. Adereços, instrumentos e pensamentos. E para disciplina do corpo e da mente meditação em movimento. Para organizar o caos da vida estou escrevendo um livro: 20 anos de teatro. Estou colocando a memória na prateleira.
Primeiro capítulo: Eu e a cidade. Segundo capítulo: A cidade e os poetas. Óbvio, nasci e cresci aqui. Ela está em mim certa. Seta que conduz. E nascido aqui me considero nativo. Índio Ibiá e Kaágua. Além da consideração sou índio no sangue por avó paterna. E mesmo registrado com nome europeu digo: sou negro, sou mulher. Geminiano como a cidade é.
Uma vez uma amiga perguntou: de onde vem teu gosto pela arte? Numa cidade que só pensa em trabalho! Penso e vejo imagens da infância. Eu seis anos rabiscando no papel. O vizinho nos fundos da nossa casa era “gaiteiro”. Tínhamos música ao vivo nos finais de tarde. No outro lado da quadra o marceneiro fabricava brinquedos de madeira. Na quadra seguinte havia um escultor fazia desenhos talhando a madeira que eu jamais imaginara. A esquerda da minha casa (na infância) eu freqüentava “o lixo” de um desenhista publicitário. Trabalhos em caneta “nanquim” na época uma fábula. Respondendo a amiga. Acredito que fui condenado pelo ambiente. Na escola desde o primeiro ano comecei a fazer teatro e nunca mais parei.
Fazendo teatro ou não a poesia sempre esteve presente. E recitando poemas em saraus públicos ou na casa de amigos encontrei poetas. É tinha um poeta no meio do caminho. De fato vários. Diferentes tipos de escritores e poetas pelo caminho. Em noventa e um a Biblioteca Publica Municipal Demetrio Nideraurer chama atores e atrizes para recitar poesias. O grupo batizado de Calíope, em referência a musa, tinha a função de promover o Projeto Poetas Caxienses. Daí em diante minha relação com a Biblioteca e os poetas torna-se profunda e constante.
Ana Araldi, Cyro de Lavra Pinto, Dhynarte de Borba e Albuquerque, Eduardo Dall’alba, Marco Antonio de Menezes, Paulo Ribeiro, Ítalo João Balen, José Clemente Pozenato, Odegar Júnior Petry, Olmiro de Azevedo e Tânia Scuro Mendes são os autores dos poemas escolhidos nesse momento.
Convido o músico e ator Bob Valente para acompanhar as declamações. Ensaio. Erro acerto. Repito. Ensaio. Preparo-me e convido amigos. Divulgo. Chega o dia marcado. Chove. Mais um ensaio. Segundo dia chove. Ensaiamos. É sábado nublado e sem chuva. Chego. Estão chegando alguns amigos. Mauro e Bernardo. Marcelo chega também. Alegre a sorrir vejo a Vera. O coração se encanta. Carlos também. Alguns amigos há pouco, outros no coração há muito tempo. Começa a sessão. Outros (desconhecidos?) se aproximam para ver. Agora que estão próximos pergunto o nome. Entrego um origami. Fagner 20 anos. A mãe gosta do cantor. Vem uma menina. Outros olham de longe. Lourdes, mulher madura, caminha apressada. Para. Ouve a poesia. Pergunta: por quê? O inferno da Julio.
Minha resposta é uma pergunta: Conheces o patrono da praça? Ela – não. Conto: Dante Alighieri poeta italiano escreveu há sete séculos o mega poema: a Comédia Humana. Nele o poeta vai ao inferno, purgatório e paraíso sob as bênçãos de sua musa Beatriz. Seus conterrâneos os migrantes que construíram a cidade batizaram a praça com seu nome, e nela um busto em bronze e mármore. Séculos depois um poeta daqui escreve sobre Dante, o inferno e o céu da Av. Julio. E estamos aqui porque as pessoas precisam de poesia. As pessoas, não o mundo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ARTE SEM LONA


Minha relação com o “circo” começou na infância. Na década de 70, morador do bairro Santa Catarina freqüentava o São José onde normalmente as tendas eram montadas. Somava-se a magia do circo a emoção de entrar sem pagar. Éramos “furões”: passávamos por baixo da lona. Os “trabalhadores” do circo viam nossa entrada ilícita, e faziam de conta que não para manter o encantamento. Sentíamo-nos o máximo. Em 1977 com doze anos tive de aposentar minha carreira de “furão”, o tamanho do corpo denunciava a idade.
A partir das investigações teatrais no início dos 90 estabeleço uma nova relação com as práticas circenses. No fazer teatral várias técnicas circenses (acrobacia solo, palhaço, magia), são abordadas para compreender estilos e melhorar o desempenho do ator.
Confesso que nunca quis fazer parte num circo tradicional. Porem com o surgimento do “novo circo” ou “nova escola” oficializada na França com a criação dos cursos acadêmicos está legitimado! Posso “ser” do circo sem ter nascido numa família circense.
Tenho então por força das escolhas presenciado ações e transformações nos espaços de formação e de produção da cena em Caxias do Sul. Mais grupos e profissionais utilizando técnicas e linguagens circenses. Estes profissionais multiplicando essas técnicas e linguagens nos ambientes escolares, de formação e capacitação.
A cidade habitada por artistas aposentados do circo tradicional. Passa de oficinas de curto prazo para cursos e programas de longa duração como o projeto Cidadão Século XXI promovido pela UCS. Projeto que possibilitou a vinda da Escola Nacional de Circo para Caxias. E que permite o dialogo e a troca com atores do teatro.
Em 2008 a RECRIA: Rede de Proteção a Criança e Adolescente adota o circo como ferramenta de formação e capacitação. Doze das vinte e seis entidades participantes começam a realizar oficinas de técnicas circenses.
Em 2009 os arte/educadores: Jander Bender, eu, Jorge Valmini, Juliana Fontoura, Nilcéia Kremer e Ramon Ortiz formam um grupo de trabalho e estudo das pedagogias aplicadas nas oficinas promovidas pela RECRIA. Em novembro o grupo passa a se identificar como: arte sem lona.
Em 2010 inserem-se ao Arte Sem Lona, jovens vindos de diferentes Centros Educativos. Objetivo: formação de novas lideranças e multiplicação de práticas pedagógicas.
Noutra face de acontecimentos entre 08 a 11 de abril de 2010, Caxias do Sul é palco da primeira edição do Encontro Estadual de Palhaços (EEPA!). Realizado pelo Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho e pela Sala de Ensaio Centro Cultural.
Com o patrocínio de empresas locais através da lei municipal de incentivo a cultura o encontro promoveu a discussão sobre a profissão do palhaço além de envolver a comunidade em torno dos espetáculos através da diversão e reflexão. Acompanhei o encontro em algumas atividades. No palco aberto presenciei um rico aprendizado. Aqui meu elogio aos participantes. Jovens que humildes celebraram homenagem aos mais velhos. Atores da nova escola que reconhecem e respeitam a tradição. Em resposta o Palhaço Pirilampo representando a família circense agradece o tributo e exalta os jovens palhaços e a nova escola do circo. Por alguns instantes as memórias do passado se conectam com os sonhos do futuro ligados pelos corações presentes. Fico emocionado.
E em mais um momento dessa caminhada nos dias 26 e 27 de agosto, para refletir sobre a inclusão sócio-cultural bem como capacitar profissionais que atuam nos programas do projeto a RECRIA realiza o Seminário O Circo e o Teatro na Arte Educação.
Sim existem dificuldades, mas aqui conscientemente faço elogio à perseverança, a dedicação, ao amor. Parabéns àqueles que acreditam. Gestores, educadores, artistas, empresários as boas ações frutificam e como diz a canção “vamos lá fazer o que será!”

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

GENTE EM CENA




Gente em cena

Este texto foi escrito e publicado na revista com o nome de “Projeto GentEncena, grupos comunitários de teatro, em dezembro de 2004 quando completava oito anos de existência.
Como é fazer teatro em Caxias do Sul? Cidade ocidental, capitalista, grego-cristã. Que pessoas fazem teatro e de que maneira se organizam? Qual é o papel do artista numa cidade jovem (94 anos de emancipação política), e voltada à “cultura do trabalho”? No contexto contemporâneo o capitalismo transforma tudo em mercadoria antes mesmo de estar pronto. E a sociedade se satisfaz com a versão simplória de que tudo é arte.
A Associação Caxiense de Teatro – ACAT – nasceu, em julho de 1989, com o objetivo de desenvolver o teatro e defender os interesses de seus associados.
Sem “escolas” de teatro como surgiram os grupos? Acredito que por não haver formação acadêmica assim como o fato de não existir (ou serem insuficientes na época as), políticas públicas para as manifestações artísticas foi que determinou a auto-organização dos “teatreiros”. A necessidade transformou a cena caxiense.
Em 1997, com a Frente Popular assumindo a administração do município, inicia-se uma nova fase com a criação da Secretaria Municipal da Cultura. Assim o desejo ver o teatro acontecendo em toda a cidade toma uma nova dimensão. Sabíamos que para o teatro crescer e se desenvolver era necessário que mais pessoas se apropriassem da linguagem. Mas como fazer? Aonde fazer? Para quem? Existe tradição? Qual?
Estas são algumas reflexões que norteiam as ações dentro do projeto. O objetivo é: “fazer” teatro nas diversas regiões da cidade. Com poucos recursos em 97, o GentEncena inicia em vários bairros, ações para formar grupos teatrais autônomos e inseridos em suas comunidades. Em 1998, amparado por lei o projeto ganha força e recursos. E agora novas considerações sobre a identidade cultural desses agentes, já que estamos interagindo em novos contextos. Precisamos então respeitar suas particularidades.

O sociólogo Stuart Hall afirma que: A identidade preenche o espaço entre o “interior” e o “exterior” - entre o mundo pessoal e o mundo público de que projetamos a “nós próprios” nessas identidades culturais, ao mesmo tempo em que internalizamos seus significados e valores, tornado-a “parte de nós”, contribui para alinhar nossos sentimentos subjetivos com os lugares objetivos que ocupamos no mundo social e cultural. A identidade então costura (ou, para uma metáfora médica, “sutura”) o sujeito à estrutura. Estabiliza tanto os sujeitos quanto os mundos culturais que eles habitam, tornando ambos reciprocamente mais unificados e pré-dizíveis (HALL 1992, p 11 - 12).
E nas palavras de Samantha de Oliveira: É importante abrir reflexões sobre o papel do artista, uma vez que este poderia ocupar o lugar de um sujeito que exercita e desenvolve ao máximo seu senso crítico e talvez um dos exercícios seja justamente “estar na busca do novo”, buscá-lo faz parte da não instalação na hegemonia. Fazer a crítica é também uma forma e, que por sua vez, torna-se uma possibilidade de resistir ao capitalismo. Esses são exercícios difíceis, pertencentes a uma árdua tarefa que cabe aos artistas e intelectuais, ou ainda melhor a todo cidadão responsável. Afinal não se pode pensar que o estado caótico no qual a sociedade está imersa, construiu-se e organizou-se do acaso.
Há muitas maneiras de agrupar-se para fazer teatro. Agimos para a formação do Grupo. Queremos um espaço onde as pessoas além do espetáculo possam construir o humano. Criando um espaço não só para incorporar técnicas e nem só para criar espetáculos. Mas um espaço onde a formação do ator de diversas formas é o lugar de liberdade para o aprendizado.
Teatro de grupo é estabilidade de elenco, é treinamento autoral, é a montagem do espetáculo, mas é também um lugar de confronto e o desenvolvimento de ética e estética. Este é o GentEncena! É este o teatro em que acreditamos! É por ele que lutamos!

Jorge Valmini - Coordenador

A Festa do pequeno grande ser

  A Festa do pequeno grande ser Estreou em 14 de janeiro de 1990                Elenco na estreia: Alceu H. Homem, Leonilda Baldi, Jenic...